A JP NEWS NOVO PRESIDENTE DO ABC DIZ QUE; 'O NOSSO MAIOR ADVERSÁRIO, HOJE, É O TEMPO'

“O nosso maior adversário no ABC, hoje, é o tempo”, afirma Eduardo Machado

Com foco no futebol, onde precisa resolver alguns problemas de forma acelerada, o presidente eleito do ABC Eduardo Machado, aponta nesta entrevista ao programa Bate Pronto, da JP News Natal, algumas de suas prioridades dentro do clube e os planos para transformar o Alvinegro em uma potência do futebol do Nordeste.

Como você planeja lidar com a montagem do elenco do ABC, considerando que isso depende de fatores como patrocínios e orçamento?

A montagem do elenco é como a cereja do bolo de todo o processo interno do clube. Para contratar, é necessário ter dinheiro em caixa, e para isso, precisamos de patrocínios. Durante o período de transição, muito se falou sobre os patrocínios que terminam agora no fim do ano. Já estamos trabalhando nisso e iniciamos contatos com possíveis fornecedores, como a marca Kappa, que demonstrou grande interesse em fornecer material esportivo para o clube.

O contrato com a Kappa já está fechado?

Ainda não. Estamos discutindo e analisando as condições. É importante que qualquer contrato seja benéfico para o clube. Não faz sentido fechar algo nos mesmos moldes da marca própria se isso não nos trouxer mais rentabilidade. Ainda vou conversar com o responsável pela marca própria do ABC antes de tomar qualquer decisão.

Quantos jogadores você espera ter no elenco para a próxima temporada?

Atualmente, temos 10 jogadores com contrato renovado. Precisamos contratar pelo menos mais 12 ou 14 atletas para compor o elenco. Além disso, podemos contar com 4 a 6 jogadores da base para complementar. No total, é ideal que tenhamos cerca de 30 jogadores, considerando competições como a Copa do Nordeste.

E sobre o planejamento financeiro? Como isso impacta o tamanho da folha salarial?

O tamanho da folha dependerá da previsão de receita para o próximo ano, especialmente em relação aos patrocínios. Estamos mergulhados no futebol, mas há muitas questões atreladas a isso que precisam ser esclarecidas. É um processo de transição normal, e estamos trabalhando para alinhar tudo o mais rápido possível.

Como você avalia o tempo necessário para colocar a equipe em condições competitivas, considerando que os jogos começam já em 5 de janeiro?

Nosso maior adversário hoje é o tempo. Já temos um jogo na primeira semana de janeiro, então não dá para perder um minuto. Estamos trabalhando para montar o elenco e treiná-lo o mais rápido possível, garantindo que os atletas estejam em boas condições físicas para competir.

Há previsão para a contratação do executivo de futebol?

Sim, estamos em negociações. Tive uma longa reunião com o candidato ideal para a posição. Ele tem interesse em vir para o ABC, e sua experiência foi fundamental na formatação do nosso plano de gestão. Contudo, estamos ajustando questões financeiras, pois ele está um degrau acima do que o clube pode pagar no momento. Ele será responsável por gerenciar todo o futebol, da escolinha ao time profissional, integrando filosofia e gestão sistêmica.

Essa filosofia de gestão inclui maior integração entre a base e o time principal?

Exatamente. Defendemos uma gestão sistêmica, onde base e profissional estejam alinhados em filosofia de jogo e outros aspectos. O Ney Franco, nosso técnico, compartilha dessa visão e tem um olhar sensível para a base. Acreditamos que a transformação no ABC passa pelo fortalecimento das categorias de base, mas sabemos que isso é um processo gradual.

Você está otimista com esses planos?

Sim, acredito que, com o tempo, as coisas vão se encaixar. Enquanto isso, vamos impondo nosso ritmo de trabalho e promovendo as mudanças necessárias para transformar o clube. O ABC é grande e precisa estar à altura de suas tradições.

Como você avalia as mudanças propostas pela CBF para a Copa do Nordeste e o impacto disso para o ABC?

Vejo com preocupação as propostas de mudança da CBF para a Copa do Nordeste. É uma competição extremamente rentável, especialmente para clubes como o ABC, CRB, CSA e nosso rival América. Essa rentabilidade é fundamental para o planejamento orçamentário do clube. Se essas mudanças aumentarem o abismo entre os clubes nordestinos, será um grande desafio. Por outro lado, precisamos trabalhar com profissionalismo para reduzir essas diferenças, sabendo que isso é uma construção de longo prazo.

O Campeonato Estadual continua sendo uma prioridade para o ABC?

Sim, o Estadual é uma prioridade, especialmente por garantir vaga na fase de grupos da Copa do Nordeste. Apesar de não ser uma competição rentável por si só, ela tem um peso estratégico. Por exemplo, se tivéssemos sido campeões estaduais, estaríamos em uma situação mais tranquila agora, com mais tempo para trabalhar o elenco.

O Fortaleza foi citado algumas vezes por você como exemplo de gestão. Você considera uma gestão participativa como um modelo para o ABC?

Com certeza. Visitamos o Fortaleza e vimos de perto como eles estruturaram o clube. Essa gestão participativa, que envolve não só o clube, mas também parcerias externas, é algo que queremos aplicar no ABC. A experiência de Marcelo Paz, ex-presidente do Fortaleza, é inspiradora. Queremos construir algo semelhante, adaptado à nossa realidade.

Como você enxerga a relação do ABC com o América, seu maior rival?

A rivalidade entre ABC e América é histórica e dentro de campo ela jamais acabará. Porém, fora de campo, não vejo problema em estabelecer parcerias comerciais, como já foi feito entre Fortaleza e Ceará. Ambos os clubes precisam gerar receitas e, se uma parceria comercial pode ajudar a aumentar essas receitas, estamos abertos a conversar. Já temos alguém do ABC trabalhando nessa direção.

Você está disposto a liderar essa articulação com o América?

Sim, já estamos tratando de uma parceria nesse sentido. Há uma pessoa do ABC, que é um ex-conselheiro, cuidando dessa articulação. Estamos planejando conversas com o América para explorar oportunidades que sejam benéficas para ambos os clubes. Dentro de campo, a rivalidade segue intacta, mas fora dele precisamos pensar no crescimento sustentável dos dois times.

Como você lida com a pressão da torcida diante dessas propostas de parceria?

A torcida precisa entender que a rivalidade saudável é fundamental, mas a sobrevivência financeira do clube também é. Parcerias comerciais não afetam o orgulho e a paixão que o torcedor sente. Pelo contrário, elas ajudam a fortalecer o clube. É isso que queremos mostrar.

Qual é a mensagem que você deixa para a torcida do ABC?

Quero reforçar o compromisso com a gestão profissional e responsável do clube. Estamos trabalhando para reduzir as diferenças com os grandes clubes do Nordeste, mas isso é um processo que exige tempo e dedicação. A torcida pode ter certeza de que estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para colocar o ABC em um patamar mais alto, sempre respeitando sua história e tradição.

TN

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